Interrogações

15/02/2010

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Verdade: "conformidade com o real; coisa verdadeira; princípio certo".
Mas o que é real?
O que é certo?
Quando tento me recordar da vida humana que já tive um dia, doe em minha alma.
Não consigo distinguir o que foi real ou não, são lembranças deturpadas, milhares de vozes entrando em conflito e não tenho a "verdade".
Não tenho um passado, pois não sei o que vivi.
Angústia maior é quando, hoje, olho no espelho e não vejo nada... não há reflexo, não há "coisa verdadeira".
Quem sou?
O que sou?
É certo matar para se alimentar?
Ou melhor, é certo matar por prazer?
Meu algoz me matou apenas pelo prazer de um gozo fugaz.
Arrancou-me da vida com apenas uma mordida.
Petrificou meu coração e me deixou sangrando na vala até a total transmutação.
Sozinha... completamente sozinha...
Por que escolheste a mim?
Qual é a verdade?

Olhos amarelos

07/02/2010

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Suor escorrendo pela face, pele se esfriando, palpitação acelerada, tremores intercalados, sussuros repimidos e o despertar enlouquecido...
Um pesadelo, não passou de um pesadelo...
Mas por que ainda não ouço nenhum ruído?
Abro a janela e vejos as ruas vazias iluminadas pelo luar... nenhum humano...nenhum aliado...apenas o vazio...
Caminho pela estrada em busca de uma batida de coração...nada...
Finalmente um casebre! A porta não mostra nenhuma resistência, os móveis totalmente empoeirados, aparentemente faz anos que não há um ser habitando tal residencia... para onde foram todos?
Estou completamente sozinha nessa cidade, quem sabe no mundo...
O silêncio é estarrecedor... os tímpanos entram em uma sintonia tão morbida que até choram sangue...
O vazio...
Espere, sinto uma presença a me seguir, quem será?
Não vejo nada ao meu redor, apenas sinto uma vigilância em meu encalço...
Os olhos amarelos...
Pequenos olhos amarelos me vigiam, o corvo da morte...
Sobrevoa o caminho do meu destino...
Ave negra, serás tu a única companheira de minha solidão?

Paradoxo

05/02/2010

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Maledicentes anunciam aos quatro ventos que tu querias apenas o meu sexo, até tu já pronunciaste essa blasfêmia, mas será que realmente acreditas nisso?
Seus atos, suas palavras doces, seu pedido de colo e clemência me soaram carregados de outros sentimentos
Meu corpo é seu desejo!?
Sim e de tantos outros
Mas não o possuia apenas pelo gozo, tu querias que eu voasse contigo, querias me mostrar que o céu não possui limites para o filho de Zeus
O meu ser era pra ti um objeto de posse, não querias compartilhar com os abutres que te cercavam, eu era a presa especial, aquela que supria suas dores, que afagava suas lágrimas, que remoia suas lembranças mais íntimas, mas aquela capaz de te ofertar a absolvição dos seus pecados
Seus olhos não me viam como carne de açougue
Suas mãos não me seguravam como a comida de um faminto
Seus beijos não me secavam a boca como a de um sedento
Não abririas seu coração de pedra e tiraria sua máscara a apenas uma meretriz sem valor
Eu não era a sua prostituta de luxo
Ofertas de sexo não lhe faltavam
Mas era sempre em meu leito que terminavas a noite, assim como era pelos meus chamegos que adormecia em meu peito
Fui seu porto seguro, fui seu descarrego, fui sua amante, fui sua rainha, mas pra que?
Para vestir sua máscara de assassino novamente e dizer que me usou?
Tens medo do amor?
Tens medo de amar e ser amado?
Não é porque confiaste em uma pessoa nefasta que todas as outras serão
Aliás nem humana eu sou, porque achas que seria tudo igual?
Não te dei o meu sangue para compartilhar comigo a eternidade!? O que mais querias como prova de lealdade?
Minha criança apavorada...
Costuraste meus olhos para não admirar mais o seu sorriso
Quanta traquinagem...
Mas do que adianta as linhas prenderem minhas pálpebras se te vejo claramente em minha mente
Ou melhor se te sinto tão intensamente em meu coração insano?
E agora, que máscara queres que eu vista?
A de meretriz assanhada?
A de vítima apavorada?
Ou de eterna apaixonada?
Ops! Esqueci de te falar não uso de tal adorno, pois não tenho medo de anunciar o caos de minha insanidade...

Dor da ausência

04/02/2010

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A noite está muito quente, parece que me falta o ar, a nossa música ecoa no espaço, minha mente entra na sintonia, meus devaneios vão ao céu.
Lembranças...
Lips like sugar...
Gotas de orvalho em meu olhar...
Amar e amar...
Every me and every you...
Seu corpo aquecendo o meu, seus lábios carnudos tirando-me do chão, suas mãos contornando o meu ser, sua respiração em meu pescoço, seu cheiro embriagante e seu sangue que entorpece minha língua...
Como sinto sua falta meu Lord!
Dos instantes em que vivi ao seu lado, antes de você me lançar ao fogo do inferno e me condenar com a eterna solidão...
Como sinto falta dos momentos em que cravei minhas unhas na sua pele de carmim, das mordidas que sentiam o gosto de sua carne, de beber o seu sangue em meio aos meus gemidos, de sentir sua boca me sufocar, de sentir seu corpo me prencher com a força dos deuses, de quando seus dedos se enroscavam em meus cabelos e me puxavam pra perto de ti, de matar a sua sede...
Por que partiste?
Por que só eu consigo ouvir a música?
Por que só eu flutuo ao admirar seu sorriso?
Por que só o meu sangue ferve ao te tocar?
As chamas do inferno não queimam tanto como você...