
A noite estava quente, meu libido queimava dentro de minha pele, foi então que resolvi ir a caça, precisava de uma presa para saciar meus instintos selvagens. Coloquei meu vestido preto oriental, o qual deixa minhas pernas expostas aos olhares de cobiça, minha pele alva realçava o carmim de meus lábios carnudos, sedentos por um sangue fresco e jovial.
Os olhares pelas ruas se dirigiam o tempo todo a mim, era um objeto de desejo deslizando pelo asfalto. Parei em um bar movimentado, pedi minha taça de vinho e comecei a observar o ambiente, sentia os aromas, nada me agradava, sangues velhos e rançosos circulavam pelo ar. Mas por um instante algo se diferenciou, um cheiro doce invadiu minhas narinas, era um perfume que jamais havia sentido antes, meus olhos procuravam desesperados pelo dono dessa essência que fazia arrepiar meus pêlos e umedecer minha cútis rósea.
Un giovanetto molto bello! Era ele que ostentava esse aroma tão provocante.
Fui até sua mesa e sussurrei apenas uma palavra em seu ouvido e imediatamente ele se levantou e começou a me seguir. O conduzo até meu mausóleu, é o seu fim, agora estava preso em minhas armadilhas.
Minhas algêmas prendem seus pulsos, minha corrente sufoca seu pescoço, e meus caninos já passeiam pela sua jugular. Tal brutalidade desperta seus animos, seu membro se enrijece, tudo o que eu queria.
Rasgo-lhe as roupas que impedem meu prazer, como era belo seu corpo, esculpido por Zeus, braços torneados, peito largo, um abdômen detalhado, pernas grossas, e um belo e suculento....
Minha língua passeia por sua pele, eriça a sua cútis, brinca em seu pescoço, sente o gosto da carne fresca e sadia, minha fome aumentava cada vez mais!
Meus dedos me despem suavemente, exibem minha silhueta, percorrem meus contornos, afastam minhas pernas e se lambuzam. Meu giovanetto preso enlouquece, quer se livrar das amarras e deflorar meu corpo, mas arranca de mim apenas um singelo sorriso sombrio.
Sinto então sua masculinidade prencher minha boca sedenta, minha língua o contorna, sente cada milímetro de sua glande, meu sangue já escorre pelos meus lábios, através dos ferimentos que meus caninos fazem ao os prensarem pela sucção que provoco.
O rapaz já não se contem mais e rompe as algêmas, me joga na cama e devora meu corpo, penetra em mim com tal força que arranca meus gemidos, cravo-lhe as unhas em suas costas, mais ferocidade o domina, ritmos acelerados o guiam, meu pé percorre sua perna lentamente até se enroscar em sua cintura, minhas coxas o comprimem, nossos líquidos começam a se misturar, a sintonia é perfeita. Em meio ao gozo puxo-lhe os cabelos e cravo meus dentes em sua jugular, vem então meu êxtase, sugo-lhe o sangue, doce e suave. A embriaguez me entorpece e a consciência se apaga.
Já é dia e vejo ao meu lado meu giovanetto da cor do bronze dormindo o sono dos justos, um menino inocente sendo despertado por meus beijos delicados, é então que eu... bom isso já é uma outra história...
27/12/2009
19/12/2009

Está frio e escuro, os meus gritos ecoam nas paredes que me cercam.
Estou em uma clausura enlouquecedora, o silêncio é mórbido, o ar é denso e o vazio é estarrecedor...
Corto meus pulsos e minhas gotas contam o tempo.
Tempo? Qual tempo?
Será que um dia saio dessa masmorra?
Será que um dia escutarei algum som diferente dos meus berros retorcidos?
Não sei...
Mas enquanto isso uso meu sangue como tinta de minhas loucuras...
18/12/2009

Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta... volta e meia vamos... dar...
O coração que tu me destes era humano e se queimou...
O amor que tu me destes era pó e se findou...
Essa canção não saia da boca miuda da doce garotinha que brincava com seus cadáveres preferidos, lá no jardim Éden.
Olhos negros e reluzentes, boca da cor do carmim, pele alva, com negros fios percorrendo a silhueta, um anjo sem vida...
De um olhar perspicaz, brinca com seus humanos como frágeis marionetes.
Na sedução muda, encanta como a mais celébre das sereias, hipnotiza suas presas, brinca com elas de pique esconde.
"Tu fechas os olhos que eu me escondo"
...Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta... volta e meia vamos... dar...
Pobres vítimas... ao fim da melodia o golpe final...
A criança sai das trevas e crava seus caninos no pescoço alheio, a cada gota sugada sua íris se avermelha...
Já saciada deixa seu moribundo cair por terra, o circunda e termina sua canção...
O coração que tu me destes era humano e se queimou...
O amor que tu me destes era pó e se findou...
É então que com suas mãos delicadas e pequenas entrangula seu joguete até seu crânio se separar do corpo já sem vida... acha graça... suave risada infantil ecoa pelo jardim...
Mais uma cabeça é posta na pilha dos mortos... mais um corpo é escondido no solo árido... mais uma vítima da canção macabra do anjo das trevas...
05/12/2009

Com a solidão dos dias, vem a morbida sinfonia...
A melodia sinistra que faz parte de minha sina...
Percorre meus timpanos
Invade minha mente
Insandece minha alma...
Enlouquece meus sentidos
Por favor... faça a música parar...
Crave logo a estaca em meu coração gélido, antes que eu perca a lucidez e vire um monstro outra vez...
