
Fazem 2 meses que estou nessa clínica de reabilitação, o tratamento é doloroso e parece que não evoluo em meu quadro dependente...
A verbena se misturou ao meu sangue e por mais que eu tente não consigo parar de deseja-lá...
Lembro do seu cheiro e a loucura domina meus olhos, a insanidade toma conta do ser e não há algêmas que me segurem nessa cama...
Perco a razão e arrasto o que vier a minha frente... já não há nada em meu quarto... apenas a cama em que me amarram todas as noites e o vazio... vazio que toma a minha alma...
É ao cair do luar que está o perigo, eram nesses momentos que me entorpecia, que saia de meu corpo e me deixava dominar pela erva... as lembranças das alucinações são tão nítidas que muitas vezes me vejo enroscada em seu calor e tocada por sua pele, então me descontrolo, fico cega, não sinto a realidade, embarco nos sonhos e quando volto a mim, percebo que matei mais um enfermeiro e estou lambendo o néctar que escorre das feridas que fiz sem nem ao menos perceber... olho-me no espelho e não vejo nada... apenas aquele novo cadáver que acreditou ser capaz de deter meus devaneios...
Como sinto saudades de ti, minha verbena... vício maldito que me tirou das caças!
Meus aliados não confiam em me deixar sozinha pelas ruas novamente, eu estava descontrolada, matava quantos pudesse em uma noite... os humanos já começavam a desconfiar de nossa existência... não teve outra saída... fui enjaulada nesse quarto branco até me desintoxicar, mas será que conseguirei?
Parece-me tão surreal esquecer o gosto, o cheiro e o ardor que a verbena me trazia...
Maldição...
29/03/2010
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1 comentários:
Nossaa...!!!
Fikou bem escrito realmente passa a idéia de um vicio e talz....
Mas fikei trsitinho com o final...
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