Bem, o fato de ser vampira já não é nenhuma novidade, logo a eternidade me condena... mas hoje vim lhes contar uma história que presenciei a muitos anos atrás... em Verona.
Havia naquela cidade duas famílias, os Montéquios e os Capuletos, inimigos que cultuavam o ódio, a raiva, a vingança, a inveja, a morte... enfim... todos os males da humanidade.
Mas no meio de tantos rancores, assim como a flor de lótus, nasceu um sentimento, singelo e único, entre dois jovens, o amor, Romeu e Julieta!
Amor, para estes, um sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro... o que os levou a morte...
Mas, por que compartilhar todos esses fatos?
Porque hoje, senti saudades do furacão que devastou minha morte... para os ainda inocentes, um amor igual ao de Verona, para mim, uma outra definição... amor... conjunto de fenômenos cerebrais e afetivos que constituem o instinto sexual... logo... desejo... apetite, cobiça, vontade de possuir ou de gozar...
Foi assim, no auge de uma caça, em tempos difíceis, afinal esconder minha identidade em meio aquela luta familiar, não era nada fácil... que encontrei meu anjo caído... um ser de luz que perturbou minha sombria alma...
A noite já havia caído, era um beco, uma criança, um órfão, uma fome inexplicável, a sede me consumia, o animal despertava dentro de mim, dilacerei ao meio aquele ser insignificante, mas... em meio a minha fúria sedenta surge, nas trevas, um ser hipnotizante...flagrou-me coberta por um véu de sangue, olhos de fera, a besta!
Seus olhos meigos tiraram-me do estupor bestial, me senti como uma gata indefesa, cheia de culpa e vergonha...
Calmamente ele se aproximou de mim, sua respiração era tão quente, o cheiro de seu sangue era tão chamativo e seu olhar... tão perturbador...
Fiquei tão extasiada diante de tal figura... baixei minha guarda...
Desejava-o, queria possuí-lo, consumir suas dúvidas, deleitar-me em seus braços... mas o que tive foi uma cicatriz em meu peito, uma cruz sinalizada por seus dedos morais, a reflexão dos pecados...
Como me angustiava esse furacão...
Totalmente insandecida, não resisti a sua pureza, toquei seus lábios, que Verbena magnífica, um beijo, uma audácia, um desejo, um devaneio...
Porém o medo me dominou e dali fugi acuada.
Cheia de desejos, de apetite, de culpas...
Mas com gosto da Verbena mais pura que já provei...
E hoje te reinventei só pro meu prazer...


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