Último suspiro

26/06/2009

 


Estava frio, o vento cortava minha face, se eu não fosse tão fria quanto, provavelmente já estaria toda trêmula. Caminhava em busca de uma presa fácil, as ruas estavam escuras e desertas, já era bem tarde, só conseguiria achar um mendigo, uma meretriz ou algum arruaceiro inútil, porém para minha surpresa me surge um vulto alto e forte.
A caçada estava lançada! Comecei a segui-lo, até encurralá-lo em um beco pouco iluminado. Pela silhueta parecia ser um homem alto e bem musculoso. Ele se virou e tirou o capuz que cobria o seu rosto: era um giovanetto! Tão belo! Um rosto alvo como o márfin, olhos negros como a morte e uma boca carnuda, um poço de desejo.
Perguntei a ele qual era o seu nome. Ele apenas sorriu, foi quando senti um arrepio subir pela minha cútis, como poderia acontecer isso? Um ser com os olhos da morte e um sorriso vindo da luz.
Mal havia voltado de meus devaneios quando senti meu corpo ser lançado contra uma parede, o seu hálito quente rossou meus lábios e um beijo foi roubado.
O que era isso? De caçadora virei uma caça?
Seu beijo era envolvente, feroz, como se quisesse matar a sua sede com a minha sáliva. Ele prensou o meu corpo com o seu peito largo, me envolveu pela cintura e me ergueu, fazendo minhas pernas se entrelaçarem em seu quadril viril. Sentia perfeitamente o seu pulsar, minhas mãos acariciavam suas artérias convidativas, aquela ferocidade só aumentava ainda mais meu desejo pelo seu sangue, despertava em mim o meu lado mais primitivo e voraz.
Deslizei pelos seus braços e fui de encontro ao seu membro rígido, suavemente minhas mãos sentiram o seu formato, até que minha boca o envolveu. Meu giovanetto gemia de prazer e isso só me excitava ainda mais, já não me importava com a pressão que os meus caninos exerciam sobre os meus lábios, só queria acariciar sua virilidade.
Quando ele estava quase chegando ao êxtase me afastei e enlacei os meus dedos em seus cabelos, suavemente minha língua passeava pela sua jugular, mal sabia o perigo que corria.
Alucinado de desejo arrancou meu vestido e passeou seus lábios carnudos por todo o meu ser. Já não me contia, queria possuí-lo, meu corpo clamava pelo dele!
Novamente sua boca me dominou, foi quando senti seu membro entrar em mim. Seus braços bem definidos me seguravam com força, os ritmos ficavam mais intensos e rápidos, a cada gemido meu mais intensamente ele me penetrava.
O descontrole me tomou e mordi seu pescoço, sangue doce e quente. Sentia a cada gota a sua adrenalina e seu apetite sexual.
Era o que bastava para o meu giovanetto jorrar sua semente em mim. Um topor indescritível o possuiu, o prazer do gozo junto à sublime sensação de sua vida esvair-se.
Seus braços afrouxaram o meu corpo, então cravei mais fundo os meus caninos e o suguei até o último suspiro, mistura de dor e êxtase.
Como era belo o meu giovanetto...

1 comentários:

Unknown disse...

Segundo Ensaio.
Apreciei este conto, na realidade vc pode explorar o conceito do "personagem" e produzir estórias, algo similar a livros "comerciais" como a saga "Crepusculo". O enredo deste tem um teor "erótico" muito latente, ( algo que já li em nosso "passado" , tanto q me remeteu o pensamento a ele . . enfim )que vc pode explorar mais, e porque não sem o teor "vampiresco", enfim neste quesito vc tem certo potencial, vc provoca e produz reações a quem possivelmente ler contos como este. Parabéns. Bjs.